A comunicação acompanha a história da humanidade e está diretamente relacionada às transformações sociais, culturais, políticas e tecnológicas vivenciadas ao longo do tempo. Mais do que transmitir informações, comunicar é uma forma de produzir sentidos, construir relações, compartilhar conhecimentos e participar ativamente da sociedade.

Desde as primeiras formas de comunicação desenvolvidas pelos seres humanos até as tecnologias digitais contemporâneas, comunicar-se constitui uma prática fundamental para a vida em sociedade. Para Karam (2010), a apropriação das palavras e de seus significados possibilita aos indivíduos compreender e transformar a realidade em que estão inseridos.

Nesse sentido, a comunicação não deve ser compreendida apenas como uma ferramenta técnica ou como um processo de transmissão de mensagens. Ela é uma dimensão essencial da vida social e da cultura. 

Comunicação como direito humano

Além de fazer parte da constituição da vida social, a comunicação é reconhecida como um direito humano fundamental. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, estabelece, em seu artigo 19, o direito à liberdade de opinião e expressão, incluindo a possibilidade de procurar, receber e transmitir informações e ideias por diferentes meios, independentemente de fronteiras.

Reconhecer a comunicação como direito significa compreender que todas as pessoas devem ter condições de acessar informações, produzir conteúdos, expressar suas opiniões e participar dos processos de construção de sentidos na sociedade.

Garantir o direito à comunicação, portanto, significa ampliar as possibilidades para que diferentes grupos sociais possam ocupar espaços de fala, representar suas próprias realidades e participar da esfera pública.

Tecnologia e democratização da comunicação

As transformações tecnológicas das últimas décadas provocaram mudanças profundas nas formas de produzir, compartilhar e acessar informações. A popularização da internet, dos smartphones, das redes sociais e de outras ferramentas digitais ampliou significativamente as possibilidades de comunicação entre indivíduos e grupos.

Hoje, uma pessoa pode produzir e distribuir conteúdos sem depender dos meios tradicionais de comunicação. Fotografias, vídeos, textos, podcasts e transmissões ao vivo podem ser produzidos e compartilhados diretamente por cidadãos e cidadãs.

Entretanto, o acesso à tecnologia, por si só, não garante uma comunicação verdadeiramente democrática. É necessário considerar também as desigualdades de acesso, as condições de produção e circulação das informações, a educação para o uso crítico das mídias e a capacidade dos indivíduos de reconhecer, analisar e produzir conteúdos de maneira consciente.

Comunicação Cidadã

É nesse contexto que ganha importância o conceito de Cidadania Comunicacional. Ser cidadão ou cidadã no campo da comunicação não significa apenas ter acesso à informação, mas também possuir condições para produzir, compartilhar, questionar e disputar sentidos no espaço público.

A Comunicação Cidadã valoriza a participação ativa dos sujeitos e reconhece diferentes comunidades, territórios, culturas e grupos sociais como produtores legítimos de conhecimento e informação.

Essa perspectiva é especialmente importante para grupos historicamente sub-representados nos meios tradicionais, pois possibilita que suas experiências, memórias, identidades e reivindicações sejam comunicadas a partir de seus próprios territórios e perspectivas.

Assim, comunicar também é exercer cidadania.

Quando uma comunidade produz seu próprio conteúdo, registra sua história, divulga suas manifestações culturais, denuncia problemas do território ou mobiliza pessoas em torno de uma causa, ela não está apenas transmitindo uma mensagem. Está exercendo um direito, fortalecendo sua identidade e participando da construção da sociedade.

 

Referências

ALMEIDA, Renata Cardoso de. Cidadania comunicacional, integração e identidades culturais na América Latina: análise de produtos audiovisuais da TAL TV. 2016. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Comunicação Social – Jornalismo) – Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS, São Leopoldo, 2016.

NAÇÕES UNIDAS. Declaração Universal dos Direitos Humanos. 1948.