Neste domingo (17), marca-se o Dia Internacional contra a LGBTfobia

O Dia Internacional contra a LGBTfobia é celebrado em 17 de maio. A data marca a decisão da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 1990 de retirar a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças (CID). Mais do que celebrar avanços, é preciso reforçar a importância da luta contínua contra o preconceito, a violência e a exclusão enfrentados pela população LGBTQIAPN+. Nesse sentido, a arte e a cultura têm sido espaços de resistência, memória, afeto e afirmação. 

Ao longo da história, pessoas LGBTQIAPN+ encontraram na cultura um espaço possível para sobreviver. Em muitos casos, a produção artística foi também uma forma de proteção e comunidade, permitindo que pessoas marginalizadas se reconhecessem umas nas outras e construíssem redes de afeto e pertencimento.  A ocupação dos espaços públicos possui um papel central nesse processo. Paradas do orgulho, por exemplo, transformam ruas e praças em territórios de visibilidade e disputa simbólica. 

Construção de memória 

Durante décadas, muitas trajetórias LGBTQIAPN+ foram apagadas ou invisibilizadas nos registros oficiais da história. Valorizar produções culturais, arquivos e espaços de memória significa reconhecer a importância dessas existências para a construção social e cultural do país. Mais do que entretenimento, a arte produz transformação social. Ela cria possibilidades de diálogo, sensibiliza públicos, questiona preconceitos e amplia horizontes de convivência. Por isso, separamos cinco obras que apresentam, por diferentes perspectivas, as alegrias, os dilemas, os afetos e as vivências da população LGBTQIAPN+. Confira! 

Tatuagem (longa metragem, 2013)
Ambientado durante a ditadura militar brasileira, mistura teatro, desejo, política e contracultura ao acompanhar a relação entre um jovem soldado e um artista ligado a um grupo performático marginal.

O Parque das Irmãs Magníficas (208 páginas, 2021)
Escrito pela argentina Camila Sosa Villada, é uma obra de autoficção que mistura realismo mágico e crueza para retratar a vida de um grupo de travestis no Parque Sarmiento, em Córdoba. O livro aborda temas como a fúria travesti, amizade, acolhimento e a busca por beleza em meio à violência e marginalização.

Nega Lu (curta-documentário, 2016)
Produzido pelo Coletivo Catarse em parceria com o grupo Nuances, narra a trajetória de Nega Lu, uma figura transgressora e ícone LGBTQIAPN+ da boemia de Porto Alegre entre as décadas de 70 e 90. 

Amora (232 páginas, 2022)
Coletânea de 33 contos da autora gaúcha Natalia Borges Polesso, narra afetividades e vivências lésbicas com sensibilidade, humor e profundidade, sendo considerada uma das obras mais importantes da literatura LGBTQIAPN+ contemporânea no Brasil. A obra venceu o Prêmio Jabuti em 2016 na categoria Contos e Crônicas

Manhãs de Setembro (série, 2021 e 2022)
Produção brasileira protagonizada por uma mulher trans interpretada por Liniker. A série aborda maternidade, autonomia, afeto e reconstrução da própria vida.