Mais do que celebrar uma origem histórica, a data convida à reflexão sobre o papel do cinema na construção das identidades culturais
No dia 27 de março comemoramos o Dia do Cinema Gaúcho. A data foi instituida pelo governador Olívio Dutra em 2002, ao sancionar o projeto de lei do deputado Ronaldo Zulke, em alusão a primeira exibição pública documentada de um filme de ficção no Rio Grande do Sul. O evento ocorreu no mesmo dia de 1909, com a sessão de “O Ranchinho do Sertão”, de Eduardo Hirtz.
Mais do que celebrar uma origem histórica, a data convida à reflexão sobre o papel do cinema na construção das identidades culturais. O audiovisual tem a capacidade de narrar histórias, preservar memórias e dar visibilidade a diferentes modos de vida. No caso do cinema gaúcho, essa produção contribui para representar as múltiplas realidades do estado, sejam elas urbanas, rurais, indígenas ou periféricas, entre outras, ampliando o entendimento sobre quem somos enquanto sociedade.
O cinema no RS
Ao longo dos anos, o Rio Grande do Sul consolidou uma cena audiovisual potente, com realizadores, coletivos e produtoras que conquistam espaço em festivais nacionais e internacionais. Filmes gaúchos abordam temas diversos, como questões sociais, políticas, históricas e afetivas, fortalecendo o cinema como ferramenta de expressão e também de crítica. Entram na lista títulos como “A Nuvem Rosa” (2021), “O Homem que Copiava (2003)”, “Saneamento Básico: O Filme” (2007) e “Colegas” (2012), além é claro, do icônico “Ilha das Flores” (1989).
Nesse cenário, ganha cada vez mais relevância o cinema produzido nas periferias. Esses territórios têm se afirmado como espaços de criação, onde novas narrativas emergem a partir de vivências muitas vezes invisibilizadas pelos circuitos tradicionais. O cinema periférico não apenas democratiza o acesso aos meios de produção audiovisual, mas também desafia estereótipos e constrói outras formas de representação. Exemplos desse tipo de produção são “Trajeto” (2011), “O Cárcere e a Rua” (2004) e “De Olhos Abertos” (2019)”.
Programação
Para celebrar a data, diversas cidades do estado promovem programações gratuitas, com exibições de filmes, mostras temáticas, debates com realizadores e atividades formativas.
Entre as programações, o espaço Casa de Cultura Lufredina Gaya, em Esteio, realiza, com a parceria Secretaria de Cultura da cidade e o apoio dos Pontos de Cultura Ciranda, Martins Fontoura e Escritório de Arte, a exibição do curta “A Deus nossos sonhos”.
O evento será às 19h e tem como objetivo celebrar os produtores culturais do Audiovisual da Região Metropolitana e também traz a proposta de encontros mensais para trocas de informações e exibição de curtas.
Valorizar o cinema gaúcho é também reconhecer a importância de políticas públicas, iniciativas comunitárias e espaços de formação que possibilitem a continuidade e a diversidade dessa produção. Hoje, celebramos e reafirmamos o compromisso com um audiovisual plural, acessível e conectado com as diferentes vozes que compõem o Rio Grande do Sul.