Com importantes nomes da cena local, apresentações e lançamento de livros, evento do Comitê de Cultura no RS colocou a periferia no centro das discussões 

O último sábado (8) marcou um importante momento para o Comitê de Cultura no Rio Grande do Sul. Mesmo com o tempo chuvoso e baixas temperaturas, centenas de pessoas se reuniram para conferir uma programação diversificada, mesclando debates com poesia, literatura e música. 

Ao longo de todo o dia estiveram presentes no Espaço Jovem Banrisul, na 71ª Feira do Livro de Porto Alegre, nomes como Manuela d’Ávila, do Instituto “E Se Fosse Você?”, Winnie Bueno, pesquisadora e ativista antirracista, Denise Pessôa, deputada e presidente da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, Susana Kaingang, jurista, advogada, educadora e pesquisadora indígena e Richard Serraria, compositor, pesquisador sopapeiro e poeta, Rafa Rafuagi, rapper e gestor do Museu do Hip Hop RSe Negra Jaque, rapper, gestora do Galpão Cultural, secretária do Hip Hop no RS e escritora. 

As boas-vindas do Encontro de Culturas Periféricas ficaram a cargo de poetas do Slam. Contando suas vivências na arte — e como ela salvou e salva muitas crianças nas periferias, Mano Cascata, Poeta Desperta, e La Gringa compartilharam suas poesias e uma certeza em comum: a dificuldade em se perceber artista em uma sociedade que reconhece poucas expressões e corpos como possíveis de produzir cultura. 

Em seguida, foi a vez das redes entrarem em debate. Não apenas as redes digitais, mas também aquelas construídas dentro das comunidades. A pesquisadora Winnie Bueno relembrou a importância de cada um poder contar a própria história. Manuela d’Ávila apontou que, especialmente na era digital, a desconexão com o povo é que gera falhas de comunicação. A ex-deputada também abordou a ilusão que as métricas das plataformas geram. “As métricas nas redes sociais deveriam ser pensadas em função de como conseguem mobilizar as redes reais, pessoais”, disse.  

O evento seguiu durante a tarde, atraindo pessoas de todas as idades para um debate sobre a relevância das políticas públicas na área cultural e os investimentos cada vez maiores do Ministério da Cultura (MinC) para descentralizar o acesso às políticas públicas na área. Um exemplo é o Programa Nacional de Comitês de Cultura (PNCC) que busca ampliar a participação social no setor. De acordo com Mari Martinez, coordenadora do escritório do MinC no Rio Grande do Sul, a cultura mobiliza mais de sete milhões de trabalhadores em todo o país, um contingente que precisa ser cada vez mais valorizado e capacitado. 

A Educação Popular também foi um dos temas da programação. Susana Kaingang, jurista, advogada, educadora e pesquisadora indígena, Richard Serraria, compositor, pesquisador sopapeiro e poeta e Sidinei Pithan da Silva, professor de Educação Contemporânea e Racionalidade, debateram sobre os desafios da área. Finalizando as mesas em grande estilo, Rafa Rafuagi, rapper e gestor do Museu do Hip Hop RS, Eduardo Tamborero, rapper e fundador da banda Preconceito Zero, e Negra Jaque, rapper, gestora do Galpão Cultural, secretária do Hip Hop no RS e escritora, falaram sobre culturas periféricas e políticas públicas. 

O dia foi encerrado com o lançamento de livros de autores locais e show ao vivo com Udi Fagundes, trazendo o Samba de Cabo Verde para capital dos gaúchos.

Quer conferir a atividade na íntegra? Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=FgjoFkOB61w (manhã) e https://www.youtube.com/watch?v=uaF1Ewen0Wo (tarde)