Em 25 de setembro, o Brasil celebra o Dia Nacional do Rádio, uma data que reconhece um dos meios de comunicação mais presentes na vida dos brasileiros. Mais do que um veículo de informação e entretenimento, o rádio ajudou a aproximar territórios, difundir manifestações culturais, levar educação a diferentes públicos e ampliar as possibilidades de participação na vida social. A história do rádio no Brasil começou oficialmente em 7 de setembro de 1922, durante as comemorações do centenário da Independência. Naquele dia, uma transmissão realizada no Rio de Janeiro levou aos primeiros ouvintes o discurso do presidente Epitácio Pessoa e a apresentação da ópera O Guarani, de Carlos Gomes. Já o dia 25 de setembro, por sua vez, foi escolhido em referência ao nascimento de Edgard Roquette Pinto, considerado um dos pioneiros da radiodifusão brasileira. Em 1923, ele participou da criação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, concebida com uma forte vocação educativa. Anos depois, a emissora seria incorporada ao Ministério da Educação e se tornaria a Rádio MEC.
O rádio e a construção da cultura brasileira
Ao longo do século XX, o rádio passou a ocupar um lugar importante no cotidiano da população. Música, jornalismo, esporte, radionovelas, programas de auditório, humor e educação passaram a fazer parte da programação das emissoras e da rotina de milhões de brasileiros. O meio também teve papel importante na circulação e valorização da música brasileira e na construção de referências culturais compartilhadas em um país de dimensões continentais. Com sua capacidade de alcançar diferentes regiões, o rádio ajudou a conectar comunidades e a levar informação e cultura para além dos grandes centros urbanos. Mesmo com o surgimento da televisão e, posteriormente, da internet e das plataformas digitais, o rádio se reinventou. Hoje, além das transmissões tradicionais, está presente em aplicativos e diferentes formatos digitais, mantendo a característica de uma comunicação baseada na voz e na proximidade com o público.
A força das rádios comunitárias
Dentro dessa história, as rádios comunitárias ocupam um lugar especialmente importante. Criado pela Lei nº 9.612/1998, o Serviço de Radiodifusão Comunitária é destinado a associações e fundações comunitárias sem fins lucrativos, com baixa potência e cobertura restrita a determinada comunidade. A legislação estabelece entre suas finalidades a difusão de ideias, elementos de cultura, tradições e hábitos sociais da comunidade, além da formação e integração comunitária, da prestação de serviços de utilidade pública e da capacitação dos cidadãos para o exercício do direito à expressão.
Na prática, isso significa que a rádio comunitária pode ser um espaço para que a própria comunidade conte suas histórias, divulgue suas atividades, valorize seus artistas, fortaleça suas manifestações culturais e dê visibilidade a temas que fazem parte de seu cotidiano. A legislação prevê ainda a pluralidade de opiniões e garante aos cidadãos da comunidade o direito de manifestar ideias, propostas, sugestões, reclamações e reivindicações na programação.
Celebração
Mais de um século depois da primeira transmissão oficial, o rádio continua acompanhando as transformações da sociedade. Mudam as tecnologias, os formatos e os hábitos de escuta, mas permanece a capacidade de informar, educar e conectar pessoas. Neste 25 de setembro, Dia Nacional do Rádio, celebrar essa trajetória é também valorizar radialistas, comunicadores, produtores, jornalistas, artistas, comunicadores populares e todos aqueles que fazem do rádio um instrumento de cultura, informação e participação social.