Comitê de Cultura RS articulou presença de lideranças para participação nas discussões
A Assembleia Legislativa do estado do Rio Grande do Sul foi palco de um importante debate na noite da última quinta-feira (2): as principais necessidades do movimento Hip Hop. O chamamento para a reunião foi feita pela deputada federal Denise Pessôa (PT/RS), presidente da Comissão de Cultura na Câmara dos Deputados, que atualmente faz a relatoria de projetos em tramitação e que afetam diretamente o setor.
As discussões giraram em torno da importância do Hip Hop ser considerado uma manifestação cultural nacional por lei, e o que é relevante para propor para as políticas de valorização para o setor. O comitê de cultura RS esteve presente como parceiro da reunião, realizando um movimento de articulação, mobilizando as bases comunitárias para participar presencialmente da reunião.
Após os cumprimentos iniciais, o evento contou com uma apresentação da Fluência, casa de Hip Hop de Caxias do Sul, na Serra. Também presente no evento, a deputada estadual Sofia Cavedon (PT) fez uma fala inicial sobre a importância da lei 15.881 de 2022 que declara como de relevante interesse cultural estadual a cultura Hip Hop em todas as suas manifestações no Rio Grande do Sul.
Estiveram presentes importantes nomes na cena, como Rafa Rafuagi, a B.girl Céia, Mano Oxxi, Negra Jaque, Dj Nezzo, e diversos representantes de diversas cidades Caxias do Sul, Santa Maria, Pelotas, Novo Hamburgo e Gravataí. Ao todo, cerca de 100 pessoas participaram do evento. Foi um momento de efetiva participação social da comunidade e do movimento hip-hop gaúcho.
Demandas
A primeira a falar foi a Negra Jaque, coordenadora do Instituto Afrolaboratório, que trouxe a importância de manter os espaços físicos para mobilização, como as casas para o movimento. Também foi reivindicado que o Hip Hop seja legitimado como movimento único e que não esteja em uma “gaveta” de manifestações culturais. Entre as demandas expostas, a necessidade de proteção das mulheres do movimento foi uma das principais pautas da noite.
Entre as demandas, a igualdade de gênero foi um dos destaques da noite. Foi proposto que os editais para acesso a fomento não contemplem pessoas com histórico de violência contra mulheres — e que essas pessoas também não possam gerir instituições do setor. Também foram feitos apelos pela saúde mental de quem faz parte do movimento. Outras reivindicações foram:
- A importância de o movimento ser reconhecido em sua totalidade por diversos ministérios, como o do Trabalho e Emprego e da Saúde;
- A importância de um fundo nacional para o Hip Hop para que se tenha uma política permanente para o setor;
- Usar o conhecimento acadêmico já existente para pensar políticas públicas;
- Pensar em políticas que seja anti racistas, antilgbtqapn+ fóbicas;
- Paridade de gênero no movimento;
- Regulamentação do breaking no Brasil (existem 18 federações do esporte);
- A importância de os fomentos chegarem aos interiores, aos pequenos produtores, de realizar uma descentralização real das políticas públicas.
Encaminhamentos
Cobrar o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) o reconhecimento do Hip Hop como patrimônio imaterial brasileiro.
A realização de uma audiência pública para tratar da regulamentação das profissões para que os trabalhadores da área consigam acessar direitos.